Reciclagem: call to action

 

 

 

 

Por Ana Isabel Trigo Morais

CEO/Adminstradora Delegada da Sociedade Ponto Verde

Em 2015, a Comissão Europeia adotou um pacote de medidas políticas e financiamento para promover a economia circular. Nessa altura os debates sobre temas que estão hoje na ordem do dia – alterações climáticas, redução de plásticos, reutilização, novos hábitos de vida – estavam a intensificar-se e começavam a ganhar cada vez mais espaço na opinião pública. Em apenas quatro anos tudo mudou. Não há um debate, um seminário, um workshop, um congresso que não inclua no seu programa uma abordagem sobre temas que têm a ver com as alterações climáticas.

As empresas não querem ficar de fora e ainda no passado dia 22, em Nova Iorque, a Organização da Nações Unidas anunciou que o programa United Nations Global Compact conta já com 87 multinacionais que aderiram ao compromisso de tomar medidas para chegarem a 2050 com neutralidade carbónica. Se em apenas quatro anos o debate se intensificou e tomou conta das agendas mediáticas, corporativas e de Estado, torna-se indispensável a relevância de uma área onde todos temos responsabilidades: a reciclagem.

Os temas da economia circular não são uma novidade para a Sociedade Ponto Verde (SPV). Desde a sua fundação que a SPV os analisa, pratica e estimula, colocando especial ênfase na investigação e desenvolvimento (I&D). Entre 1999 e 2016 aprovou 31 projetos, com uma taxa de execução de 88%, desenvolvendo parcerias com  instituições universitárias em colaboração com empresas privadas ou públicas e com autarquias. Muito há a fazer na melhoria do processo de tratamento e recuperação de resíduos e o papel da I&D será determinante para alcançar as ambiciosas metas europeias e nacionais nesta área. Temos aqui uma grande oportunidade para o investimento em Inovação.

Portugal tem estado na dianteira destes processos. Em 2019 já reciclamos 45%  das embalagens de plástico.

O material recolhido é todo ele reciclado em Portugal ou Espanha. Em termos de know-how a reciclagem de plástico no nosso país dá cartas e desde os anos 90 que se reciclam frações de plástico que não se reciclam noutros países.

A SPV tem feito um trabalho de sensibilização a todos os stakeholders na área da reciclagem, em particular das embalagens, e as marcas estão mais sensíveis a estes temas e mais dispostas a fazer algo para evitar que as suas embalagens vazias sejam vistas onde não devem estar.

Mas a tarefa da reciclagem não é exclusiva das empresas e do Estado. Tem de envolver um dos elos mais fortes desta cadeia: os consumidores. É fundamental que se façam escolhas conscientes, se promova o consumo responsável e que a colocação de embalagens no ecoponto seja uma rotina.

Do lado da SPV, estaremos sempre prontos a envolver-nos com todos os stakeholders para participar ativamente na promoção da reciclagem, procurando sempre estar do lado das soluções. Um dos melhores cartões de visita nesta matéria é o Ponto Verde Lab, uma plataforma digital que pretende ser um contributo efetivo para a conceção de embalagens mais friendly do ponto de vista da reciclagem.

Os mais recentes resultados da reciclagem indicam que estamos no bom caminho.

No primeiro semestre deste ano, Portugal registou, em relação ao período homólogo, um aumento de 11% na reciclagem de embalagens da recolha seletiva. Cerca de 175 mil toneladas de resíduos foram encaminhadas para reciclagem, um valor equivalente ao peso de 450 aviões comerciais.

É nesta cadeia de valor, dos bens de consumo, que se situam a GS1 Portugal e  a Sociedade Ponto Verde, que, acredito, aprofundando as parcerias colaborativas contribuiremos para mais e melhor reciclagem das embalagens.

Vamos a isto!