Rentabilidade, boas relações comerciais e stock figuram o top das preocupações dos retalhistas

Já considerado como uma ferramenta estratégica, o Estudo de Níveis de Serviço Comercial vê agora terminada a sua 2ª edição. Os resultados ainda estão a ser apresentados às empresas participantes, mas já são conhecidas algumas das tendências atuais, comentadas pelos profissionais da área. Por enquanto, sabemos que a rentabilidade, as boas relações comerciais e o nível de stock ocuparam os três primeiros lugares nos temas com maior importância para retalhistas, na área comercial. Ao todos participaram 32 fornecedores e três retalhistas.

O estudo, que tem como objetivo fornecer uma avaliação das atividades comerciais e o posicionamento face aos concorrentes, contou este ano com um novo grupo de análise, Estratégia Digital. Uma novidade que resulta, por um lado, do feedback dado pelas empresas participantes na primeira edição e, por outro, da atual relevância do canal de negócio online.

Neste novo grupo, os participantes foram convidados a avaliar aspetos como estratégia omnicanal, colaboração, portfolio diferenciado, desenvolvimento de categoria, campanhas e proatividade.

À semelhança da edição anterior, foram ainda avaliados os seguintes grupos:

  • Desenvolvimento da Categoria
  • Relação comercial e gestão do ponto de venda
  • Aprovisionamento
  • Promoções
  • Sortido

Ao todos foram 32 os fornecedores, de diferentes categorias de produtos, avaliados por três retalhistas nacionais, simultaneamente, nas Centrais e nas Lojas, distribuídas geograficamente pelo território nacional. A avaliação é mútua, pelo que, também os retalhistas veem a sua atividade comercial avaliada.

TENDÊNCIAS

Considerando o panorama atual da área comercial, assim como os desafios que se afiguram a curto prazo, esta edição do estudo evidenciou sete tendências, as quais foram comentadas pelas empresas participantes.

Destacamos agora, de forma anónima, os principais comentários:

 1| ESTRATÉGIA COMERCIAL: De que forma é possível dar resposta às novas exigências dos consumidores?
  • Acreditamos, cada vez mais, que as lojas terão uma forte componente de conveniência, com aposta no take away e outras soluções que facilitem o dia-a-dia, respondendo assim à evolução das expectativas e preferências dos consumidores.
  • Com a lógica de everything to everyone, everywhere, any time, o desafio está na conciliação do negócio offline, assente nas lojas físicas, com a realidade online.
  • A procura por alimentos saudáveis, suportados no maior consumo de produtos frescos, e a personalização dos hábitos alimentares também introduz desafios aos produtores e aos retalhistas, acelerando o crescimento de segmentos de menor dimensão e criando oportunidades de desenvolvimento de conceitos, categorias e marcas.
 2 | ESTABILIDADE EMOCIONAL: Qual é a melhor forma de planear o futuro e lidar com a crescente procura por promoções e redução de preços?
  • Este dinamismo promocional obriga a um planeamento concertado entre produtores e retalhistas, com o objetivo de satisfação das necessidades e ambições dos clientes e consumidores.
  • O envolvimento entre os produtores e os retalhistas, com o alinhamento das suas atividades, o planeamento promocional e de abastecimento, será crucial para o sucesso deste modelo tão suportado nas vendas em promoção.
 3 | CONSUMIDOR DO FUTURO: Que inovações podemos esperar ver nas lojas e nos produtos?
  • Tendo em conta as novas tendências, temos apostado em lojas cada vez mais convenientes e com localizações próximas dos consumidores, apostando em artigos nutricionalmente mais saudáveis, com um foco na redução de sal, gorduras e açúcar.
 4 | LOJAS DE PROXIMIDADE: Que fatores considera serem impulsionadores da tendência de crescimento menos acelerado das lojas físicas? Existe assim a necessidade da adaptação dos produtos de cada loja aos consumidores que a frequentam?
  • A proximidade é um fator que nos permite estar junto dos consumidores e oferecer frescura e conveniência.
  • Existem três impulsionadores desta realidade: (1) Estilo de vida rápido, agitado, que pede conveniência; (2) Preferência por tratamento personalizado (lojas mais pequenas, com menos clientes); (3) Procura por produtos locais/exclusivos (abastecimento de produtores regionais).
 5 | PLANEAMENTO COLABORATIVO: Considera que o planeamento colaborativo seria uma mais-valia para a melhoria da área comercial? De que forma pensa ser possível implementar este planeamento?
  • As ferramentas de planeamento cooperativo são relevantes para garantir processos que sejam simultaneamente eficazes e eficientes, pois permitem definir antecipadamente, por comum acordo, as ações a implementar por cada uma das partes, para garantir a satisfação das necessidades dos clientes.
  • As relações comerciais atuais são cada vez mais baseadas em parcerias de médio e longo prazo.
 6 | INOVAÇÃO: Que tipo de ações inovadoras e diferenciadoras poderão partilhar, como sendo algumas das vossas intenções futuras? De que forma pode o fornecedor ser o seu parceiro para o ajudar a inovar?
  • São vários os exemplos de boas práticas de sustentabilidade, destacando-se: embalagens de plástico biodegradável, redução de espessura, eliminação de materiais desnecessários, incorporação de material reciclado, produtos a partir de excedentes alimentares, retirada de plástico descartável;
  • A nível de nutrição, existem também preocupações, tais como: reduções ou eliminação de sal, açúcar e gorduras; retirada de conservantes e outros ingredientes artificiais, alimentação saudável;
  • Na área da digitalização, as APP e a desmaterialização.
 7 | SUSTENTABILIDADE: Que tipo de ações têm em mente que visam alterações no packaging ou na utilização de materiais não sustentáveis? Qual o impacto dos temas da sustentabilidade para o packaging? O futuro passa por utilização de embalagens ecológicas?
  • O futuro das embalagens passa por potenciar a reciclagem (substituindo materiais não recicláveis ou materiais que não são compatíveis entre si), otimizar o design e os materiais (reduzindo materiais ou substituindo-os por outros de menor impacto ambiental) e incorporar materiais reciclados (reduzindo a utilização de matérias virgens ou de fontes não renováveis), potenciando a economia circular.
  • Evitar o consumo excessivo; redução de plástico de utilização única; produtos concentrados com embalagens recicladas.

 

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